Vacas Leiteiras e Tecnologia: Evitando o Estresse Térmico dos Rebanhos

Vacas Leiteiras e Tecnologia: Evitando o Estresse Térmico dos Rebanhos

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A produção de leite é muito importante no Brasil; segundo pesquisas recentes, mais de 4 milhões de pessoas atuam no campo ou em indústrias envolvidas na produção de laticínios.

Para 1,2 milhão de pessoas, a produção de leite é a atividade primária, que representa o salário mensal da família.

Além disso, as pequenas fazendas produzem 47% do volume total do país.

Com a tecnologia avançando e busca de melhores resultados, hoje já existem as vacas campeãs, que produzem mais de 100 litros de leite por dia.

Considerando esses dados notáveis, é certo concluir que a produção leiteira aumentou e vem aumentando muito nestes últimos anos, e que os rebanhos ganharam geneticamente.

Porém, tais fatores geraram problemas de origem metabólica e de manejo, como por exemplo, o estresse calórico.

Como o estresse calórico afeta o rebanho?

O estresse calórico ocorre quando há um desequilíbrio no organismo por conta do clima desfavorável, como temperaturas muito elevadas ou a alta umidade relativa do ar.

Tais condições, somadas ao calor metabólico, geram um excesso de calor; ou seja, o animal produz seu calor corpóreo e recebe o calor ambiente; e essa quantidade excessiva, que não é eliminada pelo animal, só causa prejuízos.

As vacas que produzem mais leite produzem também mais calor metabólico.

Para eliminar o calor excessivo, o gado reage metabolicamente através da evaporação, principalmente pela vasodilatação, sudorese e salivação, atividades que, por sua vez, aumentam a necessidade de energia, o que no caso das vacas leiteiras, fará com que parte da energia que poderia utilizar na produção seja usada para a regulação da temperatura corporal.

Todo esse ciclo problemático causa malefícios à saúde dos animais e também, por consequência, resulta em prejuízo financeiro.

Quanto à saúde, a vaca pode apresentar baixa imunidade, o que a torna mais suscetível à mastite.

Além disso, podem existir problemas na reprodução, pois a maior parte da alimentação das vacas passa a ser nos períodos mais frescos, onde elas comem de maneira mais rápida e aumentam o risco de redução de PH durante a ruminação.

Tal alimentação fora do padrão pode afetar no aumento de intervalo entre os partos desses animais, atrasando sua reprodução normal.

O estresse calórico afeta ainda a fertilidade, cio, o funcionamento do útero, desenvolvimento do feto, além da possível morte prematura do animal e de seus filhotes.

Como diagnosticar este problema?

Sabendo de todos os problemas que surgem por conta do estresse calórico, foram criadas alternativas para diminuir e acabar com este mal.

Primeiramente, é preciso haver a identificação do estresse, medindo a temperatura das vacas do rebanho.

Para a medição correta, será necessário separar algumas vacas, teremos um exemplo com 10 animais.

Antes da ordenha da tarde, deve ser feita a verificação da temperatura por via retal de cada uma das vacas.

Esse é o horário ideal, pois no início da tarde os bovinos costumam apresentar um pico de calor e no começo da manhã.

Se ao verificar a temperatura, sete ou mais animais estiverem acima dos 39,4°C, isso configura o estresse calórico; e se estiverem acima dos 40°C, este estresse já está em seu estágio avançado.

Prevenção e resolução

Para prevenir-se do estresse térmico é preciso investir no manejo do ambiente, visando sempre o benefício do animal.

Dentre as estratégias de manejo estão algumas medidas simples, como proteger as vacas diante de altas temperaturas, criando espaços sombreados para seu abrigo, inclusive naturais, como as árvores.

Também existem maneiras um pouco mais abrangentes, que já envolvem mudanças efetivas nas instalações, para a criação de sombreamento artificial, com estruturas específicas.

Também o resfriamento através de ventiladores ou sistemas de exaustão, possibilita uma maior circulação de ar e melhora na temperatura dos animais.

Além disso, existe também o manejo nutricional, que envolve a inclusão de uma alimentação “fria”, composta por um maior teor de energia, fibras, proteínas menos degradáveis e grãos ricos em gordura.

Também pode ser feita a suplementação com sódio e magnésio.

Água

A água mostrou-se uma boa aliada na resolução do estresse calórico, pois, quando sente calor, a vaca sente mais sede, ingerindo mais água.

Por isso é preciso cuidar para que seja potável, deve haver pelo menos um cocho para cada 20 bovinos.

Também é imprescindível a existência de um cocho na sala de ordenha, pois neste momento as vacas ingerem cerca de 50% do total diário.

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